Já perdi as contas de quantas vezes já tentei escrever este texto. Até que me dei conta que eu não sou uma pessoa de palavra e que não podia simplesmente escrever coisas prometendo melhorar. O mundo precisa de menos falsidade.

Neste ano eu perdi completamente a minha identidade. Minha essência. Até agora não sei quem sou nem o que devo fazer. Passei uma década afirmando que seria médica, por exemplo, mas agora não me vejo com vocação para nada. Por isso não consigo ajudar mais ninguém com os meus textinhos hipócritas sobre comportamento.

Quero que esse ano fique conhecido para mim como "O Ano das Perseguições".

Nunca minha mente me traiu tanto, fazendo com que eu me sentisse culpada por coisas que eu nem mesmo nunca pensei em fazer. Por causa dela eu já não consigo separar minhas fantasias da realidade. Não sei se tudo o que eu vejo e ouço é real.

Eu nunca me senti tão horrível em todas as áreas da minha vida. Nunca senti tanta falta dos anos anteriores em que eu também reclamava muito, porém é claro que aquelas situações nem se comparam com o agora.

Acredita que tudo isso começou porque eu decidi dar a minha vida para outra pessoa? É isso o que acontece quando a gente quer cuidar demais. Eu mudei para que essa pessoa se sentisse bem o tempo todo, mas ela não soube ser grata.

Não dá mais para confiar em pessoas que nas redondezas vivem. Não dá mais para ficar saindo de casa. Escola é literalmente só para estudar. Não dá mais para ter redes sociais, porque nelas eu não sou a mesma.

De uma coisa eu me orgulho, ter parado de acreditar que algo maior existe. É melhor acreditar que se está sozinho, do que acreditar que há algo, o puro amor, e que esse amor não demonstra nem mesmo saber da sua existência.

O ser humano é podre. Todos somos podres a ponto de perdemos nossos tempos prestando atenção na vida uns dos outros, fazendo de tudo para derrubar aquele que parece nos superar. Bando de crianças encrenqueiras.

A única solução é tentar me virar do avesso.